O que é o EDI Proceda
EDI é a sigla de Electronic Data Interchange, a troca de dados estruturados entre sistemas de empresas diferentes. No transporte brasileiro, o padrão que se consolidou é o Proceda: um conjunto de layouts de arquivo texto, com campos de posição e tamanho fixos, que embarcadores e transportadoras usam para informar notas fiscais a transportar, conhecimentos emitidos, ocorrências de entrega e documentos de cobrança.
O padrão nasceu nos anos 1990 e continua sendo a exigência mais comum de indústrias e grandes varejistas na homologação de uma transportadora. Ele convive com integrações mais novas por API, mas não foi substituído: o sistema do embarcador já fala Proceda, e trocar isso custa mais do que exigir que a transportadora fale também.
Para uma transportadora, dominar o padrão é uma alavanca comercial. Cada embarcador que exige EDI é um cliente que a concorrência sem integração não consegue atender.
Os arquivos e o papel de cada um
O padrão define um arquivo para cada momento da relação entre embarcador e transportadora. O sentido do arquivo diz quem gera e quem consome.
| Arquivo | Sentido | Conteúdo | Momento |
|---|---|---|---|
| NOTFIS | Embarcador → transportadora | Notas fiscais a transportar: emitente, destinatário, volumes, peso, valor da mercadoria, dados de entrega | Antes da coleta. É o que dispara a criação da remessa. |
| CONEMB | Transportadora → embarcador | Conhecimentos de transporte emitidos, valor do frete e as notas fiscais que cada conhecimento cobre | Após a emissão do CT-e. |
| OCOREN | Transportadora → embarcador | Ocorrências da entrega por código: entregue, tentativa, recusa, avaria, devolução, com data e hora | Durante o transporte, na frequência combinada. |
| DOCCOB | Transportadora → embarcador | Documentos de cobrança: fatura, vencimento e os conhecimentos que a compõem | No faturamento. |
| PREFAT | Transportadora → embarcador | Pré-fatura para conferência do embarcador antes da fatura definitiva | Antes do DOCCOB, quando o embarcador exige conferência prévia. |
Como o arquivo é estruturado
Cada arquivo é um texto com linhas de tamanho fixo. Cada linha é um registro identificado por um código numérico no início, e cada campo ocupa uma posição e um tamanho definidos no layout. Um arquivo começa por um cabeçalho de intercâmbio, que identifica remetente, destinatário e data, e segue com os registros do documento: cabeçalho do documento, dados das partes, notas ou conhecimentos, e um registro de totais quando o layout prevê.
As versões mais encontradas em produção são a 3.1 e a 5.0. A 5.0 amplia campos e prevê informações que a 3.1 não comporta, como chaves de acesso completas e dados adicionais de entrega. Na prática, quase todo embarcador usa uma variação própria: campos opcionais que ele torna obrigatórios, códigos de ocorrência proprietários, regras de agrupamento. Por isso o ponto de partida de qualquer implantação é o manual do embarcador, não o padrão genérico.
Códigos de ocorrência
O OCOREN é o arquivo que mais gera atrito, porque cada evento da rua precisa ser traduzido para o código que o embarcador espera. O padrão define uma tabela de ocorrências; os embarcadores costumam usar um subconjunto dela e acrescentar códigos próprios. Os primeiros códigos são estáveis entre as versões.
- Além desses, a tabela cobre famílias de eventos: recusa por divergência comercial ou de mercadoria, endereço não localizado ou incorreto, destinatário ausente ou estabelecimento fechado, falta de agendamento, avaria, extravio, devolução e reentrega programada.
- O código correto depende da versão e do manual do embarcador. Peça a tabela dele e mapeie cada motivo de insucesso que sua operação usa para um código válido. Motivo sem código vira ocorrência que nunca chega ao cliente.
- Data e hora da ocorrência devem refletir o momento do evento na rua, não o momento do envio do arquivo. Registros capturados sem conexão e sincronizados depois precisam preservar o horário original.
| Código | Ocorrência | O que a operação registra |
|---|---|---|
| 00 | Processo de transporte já iniciado | Coleta realizada ou carga em trânsito |
| 01 | Entrega realizada normalmente | Entrega com comprovante, recebedor identificado |
| 02 | Entrega fora da data programada | Entrega concluída após o prazo acordado |
| 03 | Recusa por falta de pedido de compra | Destinatário não reconhece o pedido |
| 04 | Recusa por pedido de compra cancelado | Pedido cancelado pelo comprador antes da entrega |
Os erros que derrubam uma integração EDI
A maior parte das falhas de EDI não é técnica no sentido de código. É cadastro, layout e rotina. Estes são os problemas que aparecem com mais frequência na implantação e nos primeiros meses de operação.
- Layout desatualizado: o embarcador mudou a versão ou um campo obrigatório e o manual em mãos é o antigo. Confirme a versão vigente e peça arquivos de exemplo recentes.
- Campos truncados: valores maiores que a posição prevista são cortados sem aviso. Nomes de destinatário e complementos de endereço são os casos mais comuns.
- Codificação de caracteres: acentos gerados em um padrão e lidos em outro corrompem o arquivo. Combine a codificação com o parceiro e valide com um arquivo real que contenha acentuação.
- Chave de vínculo divergente: o CONEMB ou o OCOREN referencia a nota com série ou número fora do formato que o embarcador usa no NOTFIS. O vínculo quebra e o cliente enxerga uma nota sem retorno.
- Duplicidade: o mesmo NOTFIS processado duas vezes gera remessas duplicadas. O sistema precisa reconhecer o arquivo ou a nota já recebida.
- Frequência sem dono: o OCOREN sai a cada hora, mas ninguém acompanha rejeições. O cliente descobre o problema na cobrança. Defina quem monitora e em quanto tempo uma rejeição é tratada.
- Ocorrência sem contexto: o código diz recusa, mas a observação do motorista não chega ao cliente. Quando o layout permitir, envie o complemento; quando não, tenha o registro disponível para o atendimento.
Checklist para colocar o EDI de um embarcador no ar
Uma implantação de EDI previsível segue uma sequência curta. O que costuma atrasar é a coleta de informação no início, não a configuração.
- Receber do embarcador: manual do layout com versão, arquivos de exemplo de cada tipo, tabela de códigos de ocorrência, frequência esperada e canal de troca (FTP, SFTP, e-mail, portal ou API).
- Definir no cadastro: regras de agrupamento de notas em remessa, tratamento de nota cancelada e duplicada, série e numeração usadas no vínculo.
- Mapear ocorrências: cada motivo de insucesso e cada evento da operação para um código válido do embarcador.
- Validar com arquivos reais: processar um NOTFIS de verdade em ambiente de teste, emitir o CT-e em homologação, registrar uma entrega e uma tentativa, gerar CONEMB e OCOREN e submeter ao embarcador para aceite.
- Combinar a operação: responsáveis por rejeições de cada lado, prazo de tratamento, o que fazer quando o canal de troca ficar indisponível.
- Acompanhar os primeiros dias com atenção: os erros de layout aparecem na primeira semana, os de rotina no primeiro fechamento de fatura.
Como a Lotriva atende o EDI Proceda
O TMS Elite recebe e gera os arquivos do padrão com layouts configurados por embarcador: o NOTFIS cria remessas e coletas, o CONEMB sai da emissão do CT-e, o OCOREN nasce dos eventos da operação e do LogDriver, e DOCCOB e PREFAT saem do faturamento. O LogConex é a frente que acompanha cada conexão: arquivos recebidos, rejeitados e pendentes de retorno, com responsáveis definidos.
Para avaliar o seu caso, traga o manual do embarcador, um NOTFIS de exemplo sem dados sensíveis e a tabela de ocorrências que ele exige. A equipe confirma o mapeamento, as variações do layout e o caminho de implantação.
Leve esta análise para sua operação
Conheça as frentes relacionadas e converse com a equipe sobre o seu cenário.
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